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13 de novembro de 2018

New me old me

A história repete-se ao longo da nossa existência até que tenhamos aprendido com o passado.

As lições às vezes são mal aprendidas e voltamos a cair nos mesmos erros, por falta de atenção ou crença desmedida num amanhã melhor. Deixamos-nos embalar na ternura dos sussurros, na nostalgia dos aromas doces e na incontornável leveza dos toques, para de repente tudo ser uma tempestade de emoções.

O que é para si desconfiança?
Pois, agora apanhou-me! Não é óbvio? Por si só significa o que é, não é? Desconfiar é não acreditar, é criar distância com o que leva a gerar essa sensação - digo eu.

Segundo um dicionário da Língua Portuguesa: Falta de confiança; suspeita; receio.

I look inside myself and see my heart is black
I see my red door I must have it painted black
Maybe then I'll fade away and not have to face the facts
It's not easy facin' up, when your whole world is black


12 de junho de 2018

Coisas que não mudam

Há coisas que não muda, apesar de à sua volta tudo o resto se alterar.
O sentimento de aperto num qualquer bar decrépito onde me sento para um café e um destilado, é um ambiente que adoro e não suporto, ao mesmo tempo.
Não que seja racional, apenas me faz suar, o meu coração bate acelerado e parece que vou implodir.
Estou melhor sem as noites, mas sinto a falta delas.

Passei por tantas, mas sempre com o sentimento de dever por cumprir.

Não soube estar, não existi apenas observei, suei, quis pertencer e fugir ao mesmo tempo.

É fodido procurar aprovação e amor nos lugares mais errados

21 de abril de 2018

Hilf mir bitte

Suga-me este vazio letal
É o destino deste ser animal
Em contentamento ser banal
Travar esta inglória luta sem igual

Na loucura do descontentamento vejo tudo em slow motion, nada me prende a atenção.

O que produzo é lixo, um entulho de palavras empilhadas que me saem da ponta dos dedos, na esperança de um dia ser alguém de valor reconhecido.

Queria ser génio, poeta, cientista, escritor ou proxeneta. Queria ser algo, mesmo a sério, não um wannabe, não o esboço de uma tentativa de algo.

Sou um ser que não é.

Porque digo isto, porque penso aquilo. É isso!
Tenho de ser e pensar diferente, mas não sei como. Falta-me a arte e a energia.

Bem melhor estou, quando comparado ao tempo em que o mundo me assustava ao ponto de sair para comprar pão ser uma luta imensa.

Sinto-me a voltar a isso, mas sei que devo contrariar, fazer o oposto, e acreditar que o espectro do passado fóbico não volta mais.

8 de fevereiro de 2018

Confusão temporal e espacial

Tudo é confuso, como se estivesse condensado no centro da minha mente. Está tudo comprimido numa tensão enorme, dando lugar a movimentos errantes.

Estou sóbrio, mas enebriado com a realidade, sem me conseguir soltar. É tudo confuso, as opções são imensas nem sei para onde me virar.

Virar à esquerda é interessante, mas porque não ir ver o que há à direita? E ainda há o meio, e aquilo que não vi bem lá atrás. Por onde vou?

Sem nada para fazer durmo para o tempo passar, ocupado o tempo voa.

Tenho isto e aquilo para fazer, ora não me apetece porque a angustia me consome, ora não consigo porque a confusão é brutal. Só me apetece sempre dormir.

Durmo, e a vida esvai-se por entre as fendas do tempo. Esse não perdoa, não espera por ninguém.

Ouço risos dos outros, enquanto escrevo acompanhado de um whisky barato e uns cigarros. Preciso tirar este nó cá de dentro, refugio-me nestas linhas.

É pesado demais, sempre sem conseguir alcançar nem concretizar, tudo que produzo é inconsequente e incompleto.

O trabalho que é imperfeito apesar da exigência máxima e do perfeccionismo, as relações que não tenho apesar de muito as querer e procurar, o dinheiro e sucesso que preciso e ambicionou, mas nunca chega.

Afinal, é o resultado de estar a viver à margem, ou é castigo por demasiada arrogância?

Existe alguém que perceba disto?

Já dizia alguém, acerca de outro assunto, "é como querer nadar sem ter o braço direito"

30 de janeiro de 2018

Ich habe ein Traum

Em alemão, sonho escreve-se Traum, e trauma é  escrito em ambos os idiomas da mesma forma.

Parece interessante que a cultura teutónica considere o sonho um trauma.
Tendemos a definir o sonho como fantasia, e algo positivo.

A aculturação tem destas coisas. Bastaria nascer alemão para comprar o sonho de forma diferente.

Não aprofundem conhecimento sobre isto, é apenas uma consideração básica e simplista.

O que daqui extrapolo é que cada sonho meu parece mesmo um trauma, a cada entusiasmo com nova expectativa, segue-se desilusão é um sentimento de cada vez maior afastamento da realidade.

Auf Wiedersehen Leute

29 de janeiro de 2018

Horácio o Retranca

Numa nova abordagem, aqui no blog, dou a conhecer outro lado da minha personagem.
Além da fobia social, existe esta faceta de observador que implica, e cisma, com determinado tipo de gente.

Este texto é inteiramente dedicado aqueles seres que populam a sociedade portuguesa, que vão tirando pequenos dividendos à custa dos outros, aqueles que se contentam com as migalhas dos outros, que se mexem na sombrinha, se fazem de parvos, mas estão sempre à espreita.

Seja ele minhoto, trasmontano, beirão ou alentejano, este é aquele típico ser abominável e mesquinho que habita a nossa sociedade. Esse mesmo que se queixava que anda meio mundo a enganar o outro, como se o mundo todo o perseguisse ou enganasse; esse mesmo que de fininho passa a perna ao próximo, e sem demora há-de alegar que esse outro é que foi burro.

Trabalho com um desses Horácios, isto é o porquê de vir aqui satirizar a besta.

Nunca sabe nada, num momento, para no outro estar cheio de certezas.
Cala-se perante alguém hierarquicamente superior, nunca defende as suas ideias abertamente; espera pela calada para agir e montar a sua teia de interesses.

No passado lerpei por causa de gente desta.
Todos aqueles que estejam na vida de forma franca têm de se acautelar com estes bichos do monte, estes pouco cosmopolitas e básicos.

Eles decoraram comportamentos, carregam essa herança sonda que os pais e os pares lhes ensinaram. Nunca ousaram ser diferentes, ou se o fizeram, foi uma vez e há muito tempo, esmifraram o que podiam e rapidamente se apressaram para a caverna dos sonsos.

Têm medo de tudo, estão carregados de cautelas e desconfiança, o ar é bafiento em seu redor. Usam da malícia para ridicularizar ou rebaixar os outros. Primeiro fazem ninho nas costas do alvo, para depois já mais confiantes, iniciarem a campanha do gozo aberto e perante os demais.

Ainda não aprendi totalmente a lidar com esta casta apodrecida, e é realmente um mistério para mim como é possível que vão conseguindo ter sucesso relativo.
É verdade, tantas vezes os encontramos em posições que não são as que a sua personalidade merece, para os encontrarmos como chefes de secção, capatazes, sub-gerentes ou outro cargo ligeiramente superior (superiorzinho, vá).

Espero que os dias de vento limpem o ar apodrecido, as nuvens se dissipem e a luz ilumine certas mentalidades retrógradas.

Anseio pelo dia em que a sociedade faça a selecção natural, e me elimine a mim ou a eles.

25 de janeiro de 2018

Coimbrinha

O que importa o sítio?

Para onde vamos, connosco vai tudo que está dentro de nós. Os problemas, os receios e anseios, as inseguranças e os medos

O novo ano trouxe a mudança de cidade e de trabalho. Tudo o resto é velho, a vivência negativa, marcada pela solidão, as dúvidas existenciais e a procura pelas respostas antigas.

Este sítio onde me sento para escrever estas linhas, parece que já cá venho desde sempre. Um café, como tantos outros, que frequento há tão pouco tempo mas parece que já é o "meu" café há anos.

O início foi atribulado, com sensações de confusão, muita ansiedade e comportamento errante. Sim, a psicose falou mais alto e tomou conta de mim enquanto me distraí com tudo novo que me rodeava.
Primeiro os medos generalizados, depois a fobia social e o comportamento estranho.

Neste momento em que escrevo já acalmei, após decidir aumentar a dose de anti psicótico. Apesar de saber que não é o melhor caminho, a auto-medicação, tive de o fazer, antes de me perder .

Sigo deambulando por esta nova cidade, que parou no tempo, dita dos estudantes. Sim, eles andam por aí, mas já não têm a preponderância e significado social de outros tempos. Hoje estudar no ensino superior é uma continuação do secundário, chama-se setôr aos professores, e os próprios transformaram-se nisso mesmo.
A exigência social do estudante é diminuta é restrita; noutros tempos ser estudante universitário era uma lição de vida, hoje é só mais uma escolinha como foi a primária e depois o secundário.

Falta portanto a chama a esta cidade, não entusiasma, tudo é anos 80, o que há de moderno é um ponto aqui e ali. À parte das superfícies de comércio.

Cidade adormecida no regaço do Mondego.

13 de novembro de 2016

Passei ao lado de viver

Passei ao lado de viver, de ter uma vida, pelo que tenho sido um simples sobrevivente que assiste ao que se passa em seu redor.
Envolto na armadura da indiferença, da superioridade, e tantos outros adjetivos que fui reunindo para me ajudar a enfrentar o pânico que sempre senti.

Foi sempre num misto, da vontade imensa de querer pertencer e vivenciar, com o aspecto exterior de quem nada quer.

Por vezes consciente, mas em grande parte forçado a tal, pela incompreensão do que se passava à minha volta e do que os outros diziam. Tantas vezes auto-convencido de que assim a olhar para o chão conseguia passar despercebido, lá fui passando a infância, a pré-adolescência, a adolescência, a juventude, e o início da vida adulta.

Cheguei a um ponto em que não dava mais, era viver ou morrer. Procurei ajuda quando a confusão era assoberbadora, o medo me dominava e controlava.

Agora, depois de 3 anos sob medicação, muito disso se diluiu, felizmente. Não desapareceu, apenas se esbateu, tornei-me funcional e capaz de levantar a cabeça.
Mas continuo a observar com estranheza o que os outros dizem e fazem, percebo um pouco melhor, mas não consigo atirar-me para esse abismo que é interagir com as pessoas.
Essencialmente porque ainda acho que não é o certo, porque continuo sem compreender.

Pelo meio disso, tive, e tenho, períodos de positiva interação em que tudo parece ter desaparecido. Consigo quase ser um animal social, por estranho que pareça.
Pergunto, frequentemente, a mim mesmo quem serei eu na verdade. Concluo que não sei, às vezes, deduzo que sou um pouco dos dois, noutras vezes.

Viver nesta casaca protetora é estranho, por tanto a querer e tanto a abominar. Tudo quero do exterior, e nada me serve. Vivo nesta dualidade constantemente.

Com 35 anos, vivo constrangido com a minha incapacidade. Lamento e vivo frustrado com algumas coisas em particular, que são o facto de não ter tido sucesso académico, a instabilidade financeira constante, as amizades que não tive, nem tenho, as namoradas que não tive, as curtes que nunca consegui ter.

Chego a este momento da vida detestando-me pela minha incapacidade com o sexo oposto. Primeiro, por saber que racionalmente isso é tão vão. E até fui tendo namoradas ao longo da vida, não fui um completo incapaz nesta matéria. Em segundo, a verdadeira obsessão por querer ter essas vivências mais desprendida, os engates, as curtes, os flirts... Simplesmente incapaz a vários níveis.

Fico preso na vergonha, amarrado na baixa auto-estima, nervoso e sem perceber como fazer a coisa certa, acabo sempre por ser ríspido e indelicado, afugentou em vez de aproximar, não sei jogar, provocar interesse ou conquistar.

E isto é tudo tão oco, mas talvez seja esse oco que me falte para me preencher. Estranha contradição!

28 de janeiro de 2016

Anseios

Anseios são a génese da ansiedade. Óbvio

Menos óbvio, é que a ansiedade se torna patológica quando os anseios são mais do que aquilo que podemos aguentar. É uma linha muito ténue que separa uma vida agitada, de uma vida caótica.

O que fazemos para dissipar essa energia ansiosa, para controlar ou aprender a viver com o caos.

Por vezes observo gente que parece em perfeita sintonia e livre de ansiedade, outros que estão completamente desfeitos e ainda aqueles que viram costas a tudo para se verem livres do torpor.

A sociedade só aceita os indivíduos que aparentam a calma, tem pena e troça dos que viram costas, e, teme e afasta os que vivem em agitação constante.

Já virei costas a tudo quando não aguentei mais, passei pelo limbo, e voltei à luta.
A custo voltei a ser um peão no tabuleiro de xadrez da vida. Ambiciono chegar à outra extremidade do tabuleiro, sempre questionando-me porque raio comecei o jogo como peão e não como o possante cavalo, o astuto bispo ou a impenetrável torre. Rainha não poderia ser, e o papel de rei também não me seduz, não passa de um peão protegido e com mais regalias.

Luto comigo mesmo, com o tempo e contra o tempo, cada movimento tem de ser ponderado e antever mais de uma jogada contrária.

O impulso atira-me para processos perdedores, mas é no impulso que consigo sentir-me vivo. Trapalhão, inconsequente e por vezes eufórico. Quando tudo passa vem o vazio e uma estranha vergonha, produto da reflexão das jogadas executadas sob a energia impulsiva.

Assim, regresso a este espaço que um dia criei.
Criei num momento fraturante à procura de desabafar, mas acima de tudo encontrar quem se identifique e também queira partilhar, acrescentar.

Mantenho os traços individualistas, de não gostar de pessoas nem querer ninguém, com uma necessidade básica de querer contacto humano e precisar de outros para me sentir completo.
Penso que é o determinismo animal a falar mais alto, a continuar a dividir-me.