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13 de novembro de 2018

New me old me

A história repete-se ao longo da nossa existência até que tenhamos aprendido com o passado.

As lições às vezes são mal aprendidas e voltamos a cair nos mesmos erros, por falta de atenção ou crença desmedida num amanhã melhor. Deixamos-nos embalar na ternura dos sussurros, na nostalgia dos aromas doces e na incontornável leveza dos toques, para de repente tudo ser uma tempestade de emoções.

O que é para si desconfiança?
Pois, agora apanhou-me! Não é óbvio? Por si só significa o que é, não é? Desconfiar é não acreditar, é criar distância com o que leva a gerar essa sensação - digo eu.

Segundo um dicionário da Língua Portuguesa: Falta de confiança; suspeita; receio.

I look inside myself and see my heart is black
I see my red door I must have it painted black
Maybe then I'll fade away and not have to face the facts
It's not easy facin' up, when your whole world is black


11 de abril de 2018

Lupa psicológica

A lupa é um objecto que nos ajuda a ver os detalhes, através do aumento de tamanho da imagem que por ela passa.

Muitas vezes usada por aqueles que têm já dificuldade para ler, pode ser um óptimo auxiliar para as leituras. Tantas vezes usada na botânica para observar os detalhes do material vegetal, e em tantas outras ciências onde se pretende observar o ínfimo.

Algures neste meu processo de tratamento da minha mente doente, houve um profissional de saúde mental que acertou em cheio... "É como se visse o mundo sempre com uma lupa, tudo ao perto, não é?"

- "Não é isso" - respondi eu precipitadamente

Já dei por mim tantas vezes a pensar o quão idiota fui ao dizer que não. Tolo.

É verdade, a partir nem sei bem de quando, passei a ver o mundo com uma lupa, a procurar esmiuçar tudo, ver o detalhe em cada coisa. Isso tornou-se tão intenso, essa forma de ver o mundo, que me tornei incapaz de ver a imagem geral das coisas.

Neste momento, tenho o conhecimento de que é errado observar o mundo dessa forma, mas nem sempre consigo evitar este processo. Tornou-se intrínseco à minha forma de analisar o que me rodeia, à minha dialética.

É esse acto de focar nas coisas mais ínfimas, não ser capaz de levantar os queixos e sair do olho do furacão. E, quando assim é, torna-se impossível sair da crise. A única solução é afastar para um plano superior, não adianta sair para os lados.

29 de março de 2018

À tona

Voltou o vazio, velho companheiro da existência. Esse que me recorda que tudo é vão e mera construção mental.
Nada faz sentido, senão pelo sentido que lhe damos, tudo o que existe não existe, é apenas uma ideia.

Não fumo, apenas acendo cigarros e meto-os à boca.

Um escravo dos meus vícios, e das obrigações.

Tivesse eu o que não tenho, o que gostaria de ter, e lamentaria outras coisas que não teria.
É triste a condição humana ter chegado a isto.

Sem perigos à espreita, sem necessidade de ser mais do que mera peça da engrenagem, dessa máquina que foi a ideia de alguém, definamos interiormente o nosso intelecto.

Já nem me apetece cuidar a sintaxe do que escrevo, somente vomitar este sentimento.
Reles produto da falta de real utilidade, sou uma pequena roda dentada que ajuda algo a não parar.

Ai de mim que me recuse a ser a roda dentada. Outra para o meu lugar virá, e quem se fode sou eu que fico sem sustento, fico noutro patamar qualquer de necessidades.

Tudo está montado para que saibamos degraus de necessidade. Se não temos de comer, só pensamos na subsistência, se subsistimos queremos mais... O carro, a casa, o gadget, as férias, aquele mimo, aquela coisa que nos dá estatuto e nos faz inchar feitos pavões. Se materialmente nada nos falta, queremos coisas que não temos, apesar de tudo termos. Procuramos sensações de outros tempos, sensações novas, ou mesmo sentir necessidade como os que nada têm.

Será a natureza humana isto? Ou será a forma como alguns montaram a sociedade que nos leva a isto?

Vício, consumo, desejo, necessidade... Todas ideias construídas por alguém, e mantidas pelos filhos deles.

Mais um dia na luta, a tentar ficar à tona.

18 de fevereiro de 2018

Pessoas

Pessoas são os outros, nós seremos sempre nós.

Assim parece ser para a maioria. Desprezamos outros por este ou aquele preconceito, admiramos uns quantos porque alcançam o que a nós nos parece tão difícil de conseguir.
Pensamos sempre que o melhor e o pior só acontece aos outros.

Para mim os outros são isso tudo, e sempre uma grande curiosidade de saber a fundo quem são. Gosto dos que falam abertamente sobre si, sejam tretas ou grandes verdades. Valorizo o discurso na primeira pessoa, aqueles que têm uma história para contar.

Talvez por sentir que não tinha história, por saber que não tinha vivido o suficiente para ter um passado merecedor de ser escutado, talvez por isso a minha mente entrou em declínio.
É o maior sentimento de vazio que o ser humano pode ter, não ter vivido e nada para contar. Seja aos outros, como a si mesmo.

Eterno espectador de uma existência ignóbil e nunca alcançando metas nem cumprindo desafios até ao fim, pendurado nas histórias de outros e no conhecimento contado, não vivido.

Para mim as pessoas são os actores do palco da vida. A mim parece-me que todos têm uma vida, menos eu. Até os que se dedicam a pouco fazer, parece que o fazem de forma mais completa, mais intensa e com mais detalhes.

Eu persistir na tentativa de construir a minha história, mas sempre com esse calcanhar de Aquiles, é tudo tão superficial... Seja a preguiça, o medo ou a falta de cognição sobre as coisas, ou a combinação de tudo isso, o resultado é algo amorfo e vulgar.

Não consigo destacar-me em nada do que faço. Talvez seja a polivalência a minha melhor característica, mas mesmo essa é tão limitada.

Tal como estes textos que escrevo, com uma profundidade oca, carregados de uma impressão individual tão desinteressante para a maioria, sem sumo de conhecimento que valha a pena a leitura atenta, senão para conhecer a mente do louco que habita dentro de um indivíduo minimamente socializado e padronizado.

Neste cenário todo as pessoas são a eterna variável que luto para compreender.
Ora quero proximidade e sentir-me, ora quero distância e estar na paz irrequieta da minha solidão.

De alguns tenho medo, só porque sim, por outros sinto respeito e admiração, outros fazem-me sentir minúsculo, triste, feio, burro, incompleto. Poucos me fazem sentir bem, a maioria faz-me sentir excluído.

A julgar pelo feedback que tenho, pela forma como sou rejeitado à partida, ou à posteriori, sou arrogante e fechado.

Já me disseram para sorrir mais, mas só consigo sorrir quando a alma está alegre.

10 de junho de 2017

Segurança Interna

Os primeiros anos de vida são primordiais para o ser humano, e talvez todos os restantes mamíferos.
A capacidade de gerar os mais básicos sentimentos de segurança interior, está relacionado com o relacionamento de afecto e proteção dado pelos progenitores nos primeiros anos de vida.

Existe uma hierarquia, a mãe é o factor primordial no desenvolvimento futuro da criança.
O pai é importante, mais tarde.

Todas as relações falhadas mãe-criança, pai-criança e mãe-pai, resultam num jovem e adulto potencialmente desagregado.

Tendo sido essa a minha realidade, compreendo agora o que gerou toda a minha falta de segurança, a quase ausência de auto-estima, e toda a inabilidade social que se prolonga até hoje.

Uma mãe pouco presente, sem verdadeiro sentimento de amor por um filho indesejado; o pai também ausente por força de circunstâncias. E acima de tudo, um eterno conflito entre progenitores, e lados.

Uma mãe que não queria, mas também não largava, e, um pai que queria, mas estava longe, e apenas queria por sentimento de posse, imagem e moralismo.

Que caldo estranho na génese de um ser humano.

Há historias mais difíceis, e também existem outras tremendamente mais simples.

Anos volvidos, na sua maior parte passados junto ao lado paterno, num lar onde nunca fui querido, cheio de conflitos e agressões ao desenvolvimento pessoal - rebaixamento e anulação.

Cresci a ser a erva daninha da família paterna, o indesejado em segredo - o mundo das aparências manda que o comportamento esconda todo esse lado, todo o discurso é oposto - sem nunca ter tido falta do básico a nível material e emocional.
Cresci obrigado a ter de estar grato por migalhas.
Um corolário infeliz para um ego manco pelo falhanço afetivo dos primeiros anos de vida.

Todo o desenvolvimento ao longo dos anos foi como que uma consecutiva crise de identidade e de existência.

Que confusão.

Claro que esta é uma leitura demasiado pessoal, dir-se-á nada distanciada.

Todavia, após tantos anos a olhar para dentro, sempre num processo falhado que misturou a busca pelo melhoramento comportamental, a busca por respostas e o medo de agir, gerou num colapso.
O colapso gerou a imensa busca interior, com tantas leituras, a criação de uma pequena capacidade de convicção.

A medicação ajudou imenso, veio a abertura da mente, o pragmatismo e o distanciamento. Autênticos super poderes para esse ser desconfigurando e até à data manco dessas características.

Aos poucos, lentamente, a segurança interna vai aprofundando raízes. A capacidade de acreditar começa a trazer frutos, a relação com o exterior melhorou.

Foi um salvamento à última hora, quando a personalidade estava no limite de se perder para sempre num estado mental desgraçado pelo medo, a psicose e paranóia.

Nada disso desaparece, mas está controlado. Por vezes vem à tona, e tenho de deixar que respire. E tem de ser, essa parte sou eu também, se morrer eu morro também.