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11 de abril de 2018

Lupa psicológica

A lupa é um objecto que nos ajuda a ver os detalhes, através do aumento de tamanho da imagem que por ela passa.

Muitas vezes usada por aqueles que têm já dificuldade para ler, pode ser um óptimo auxiliar para as leituras. Tantas vezes usada na botânica para observar os detalhes do material vegetal, e em tantas outras ciências onde se pretende observar o ínfimo.

Algures neste meu processo de tratamento da minha mente doente, houve um profissional de saúde mental que acertou em cheio... "É como se visse o mundo sempre com uma lupa, tudo ao perto, não é?"

- "Não é isso" - respondi eu precipitadamente

Já dei por mim tantas vezes a pensar o quão idiota fui ao dizer que não. Tolo.

É verdade, a partir nem sei bem de quando, passei a ver o mundo com uma lupa, a procurar esmiuçar tudo, ver o detalhe em cada coisa. Isso tornou-se tão intenso, essa forma de ver o mundo, que me tornei incapaz de ver a imagem geral das coisas.

Neste momento, tenho o conhecimento de que é errado observar o mundo dessa forma, mas nem sempre consigo evitar este processo. Tornou-se intrínseco à minha forma de analisar o que me rodeia, à minha dialética.

É esse acto de focar nas coisas mais ínfimas, não ser capaz de levantar os queixos e sair do olho do furacão. E, quando assim é, torna-se impossível sair da crise. A única solução é afastar para um plano superior, não adianta sair para os lados.

29 de março de 2018

À tona

Voltou o vazio, velho companheiro da existência. Esse que me recorda que tudo é vão e mera construção mental.
Nada faz sentido, senão pelo sentido que lhe damos, tudo o que existe não existe, é apenas uma ideia.

Não fumo, apenas acendo cigarros e meto-os à boca.

Um escravo dos meus vícios, e das obrigações.

Tivesse eu o que não tenho, o que gostaria de ter, e lamentaria outras coisas que não teria.
É triste a condição humana ter chegado a isto.

Sem perigos à espreita, sem necessidade de ser mais do que mera peça da engrenagem, dessa máquina que foi a ideia de alguém, definamos interiormente o nosso intelecto.

Já nem me apetece cuidar a sintaxe do que escrevo, somente vomitar este sentimento.
Reles produto da falta de real utilidade, sou uma pequena roda dentada que ajuda algo a não parar.

Ai de mim que me recuse a ser a roda dentada. Outra para o meu lugar virá, e quem se fode sou eu que fico sem sustento, fico noutro patamar qualquer de necessidades.

Tudo está montado para que saibamos degraus de necessidade. Se não temos de comer, só pensamos na subsistência, se subsistimos queremos mais... O carro, a casa, o gadget, as férias, aquele mimo, aquela coisa que nos dá estatuto e nos faz inchar feitos pavões. Se materialmente nada nos falta, queremos coisas que não temos, apesar de tudo termos. Procuramos sensações de outros tempos, sensações novas, ou mesmo sentir necessidade como os que nada têm.

Será a natureza humana isto? Ou será a forma como alguns montaram a sociedade que nos leva a isto?

Vício, consumo, desejo, necessidade... Todas ideias construídas por alguém, e mantidas pelos filhos deles.

Mais um dia na luta, a tentar ficar à tona.

28 de janeiro de 2016

Anseios

Anseios são a génese da ansiedade. Óbvio

Menos óbvio, é que a ansiedade se torna patológica quando os anseios são mais do que aquilo que podemos aguentar. É uma linha muito ténue que separa uma vida agitada, de uma vida caótica.

O que fazemos para dissipar essa energia ansiosa, para controlar ou aprender a viver com o caos.

Por vezes observo gente que parece em perfeita sintonia e livre de ansiedade, outros que estão completamente desfeitos e ainda aqueles que viram costas a tudo para se verem livres do torpor.

A sociedade só aceita os indivíduos que aparentam a calma, tem pena e troça dos que viram costas, e, teme e afasta os que vivem em agitação constante.

Já virei costas a tudo quando não aguentei mais, passei pelo limbo, e voltei à luta.
A custo voltei a ser um peão no tabuleiro de xadrez da vida. Ambiciono chegar à outra extremidade do tabuleiro, sempre questionando-me porque raio comecei o jogo como peão e não como o possante cavalo, o astuto bispo ou a impenetrável torre. Rainha não poderia ser, e o papel de rei também não me seduz, não passa de um peão protegido e com mais regalias.

Luto comigo mesmo, com o tempo e contra o tempo, cada movimento tem de ser ponderado e antever mais de uma jogada contrária.

O impulso atira-me para processos perdedores, mas é no impulso que consigo sentir-me vivo. Trapalhão, inconsequente e por vezes eufórico. Quando tudo passa vem o vazio e uma estranha vergonha, produto da reflexão das jogadas executadas sob a energia impulsiva.

Assim, regresso a este espaço que um dia criei.
Criei num momento fraturante à procura de desabafar, mas acima de tudo encontrar quem se identifique e também queira partilhar, acrescentar.

Mantenho os traços individualistas, de não gostar de pessoas nem querer ninguém, com uma necessidade básica de querer contacto humano e precisar de outros para me sentir completo.
Penso que é o determinismo animal a falar mais alto, a continuar a dividir-me.